quinta-feira, 26 de março de 2009

Minha Querida



Minha querida,

Lembras-te daquela casinha no meio do campo,
naquela montanha em que as flores de alegres cores crescem,
desde o vermelho dos teus lábios,
até a apaixonante cor dos teus olhos,
um quente toque de alegria na vida...
um sorriso do teu rosto...
Lembro-me de te ver correr por entre elas,
Lembro-me de teu sorriso apanhares as que mais gostavas,
Brancas e violetas....
Tantos Sorrisos, tantos bons momentos...
E ao por do sol a mim te encostavas, quase podia sentir teu sonhar...
Teu desejo de nunca perder este amor, teu desejo de poder o tempo parar...

Nessa mesma montanha nem todos os dias fazia sol,
E naquele dia que bem me lembro...
Choveu toda a noite e todo o dia,
Choveu sem parar...
foi então, que aquela casinha transformou-se num doce aconchego,
e por entre o suave som da chuva e o crepitar da lareira,
por entre as mantas que nos rodeavam,
o desejo se revelou, a emoção se expressou,
um toque de paixão na vida...
uma lágrima no teu rosto...
o medo que tinhas de o amanha não existir...
o medo que tinhas de tudo isto perder...

Era tão bom....naquelas manhas em que nevava, ficar aconchegado a ti,
Sentir-te junto a meu peito....
Gostavas tanto de ouvir escutar o meu coração bater...
e suspiravas quando te apertava contra mim....
Queria aproveitar sempre cada minuto, cada segundo...

E por entre sorrisos,
por entre momentos que são impossíveis de esquecer,
Todos aqueles gestos que a nossa vida marcaram...
Diria que o nosso amor foi um pequeno milagre...
Um sonho para muitos...uma realidade para nós,

e assim o tempo passou,
A felicidade, a paixão e o romance pelos anos foi crescendo...
mas...
nada é eterno,
e um dia a felicidade morreu, a paixão também....e o romance desapareceu...
Tu te foste...
E eu só fiquei...
Envolvido pelas montanhas, na fria solidão...
O conforto do teu abraço,
A paixão do teu olhar,
O quente do teu beijar....
Memorias espalhadas pela velha casinha...

e ano após ano,
cada vez mais triste com tua ausência,
cada vez mais marcado pelo anos,
eu vou tentando sobreviver....
Tentando lutar conta a tua falta...
Tentando não sonhar com o que já não posso viver...
Queria te de volta...
Nem que fosse por um mero dia...
Bastava-me uma só hora...
Um mero beijo teu...
Um mero sorriso...
A tristeza invade-me....
A solidão me preenche...

Foi então que naquele dia...
apareceu o uivar do vento,
Fustigante, impiedoso, enraivecido....
Chocou na velha e já desgasta casinha,
A madeira range, como se grita-se a procura de forças,
A lua se esconde, as árvores estremecem.....
A velha casinha que nossos sonhos viu crescer,
A velha casinha que viu nossas alegrias,
A velha casinha....
O nosso aconchego....
O nosso cantinho....
Se deixou levar pelos anos,
E ruiu...
Se sucumbiu...
O milagre do amor....
A alegria da emoção...
Os doces momentos....

Tudo se foi...
A minha vida ruiu...
Só, abandonado, sem-abrigo....
Fiquei eu e a indomável montanha...

Sou agora o velho do monte,
Falam de mim em contos de amor aos jovens,
Em historias que muitos julgam nunca ter havido...

Mas minha querida sorri,
porque na memoria,
todas aquelas pequenas sensações,
todos aqueles sorrisos,
todos aqueles momentos nunca esquecerei




:)

1 comentário:

  1. Meu querido amigo.
    É bom recordar o passado. Os bons momentos. As pessoas maravilhosas que viveram em nós.
    Mas está na altura de te libertares. Aos poucos, suavemente. Tens amigos, vive para eles!
    Acima de tudo, sê feliz!

    Eu estou aqui. Sempre.

    Beijinhos**

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